História e Origem
Hoje finalmente terminei a Panema. E talvez nenhuma outra varinha tenha me custado tanto tempo, paciência e confiança para ser criada.
Os ingredientes vieram do Pará, mas o núcleo exigiu que eu permanecesse por sete anos na Floresta Amazônica. Durante todo esse tempo, precisei conviver com o próprio Curupira, guardião das matas. Seu pé voltado para trás é o menor de seus mistérios. Ele é rápido demais para ser capturado, capaz de assumir a forma de qualquer animal ou até mesmo copiar o rosto de outra pessoa. E sua magia de desorientação é tão poderosa que, muitas vezes, eu sequer sabia onde estava.
Foi por isso que não tentei capturá-lo. Tornei-me seu hóspede. Ou talvez seu tributo. Passei anos conquistando sua confiança até que, finalmente, ele próprio me presenteou com a unha de seu dedão. Foi esse pequeno fragmento que escolhi como núcleo da Panema.
Para equilibrar tamanha magia, precisava de uma madeira igualmente imponente. Escolhi a castanheira, a rainha da Amazônia. Sua presença se destaca mesmo em meio à floresta mais densa, e sua força silenciosa pareceu perfeita para conter o poder caótico do Curupira.
Quando finalmente uni os dois materiais, descobri que talvez tivesse subestimado o núcleo.
A varinha pegou fogo.
Por alguns instantes, achei que perderia anos de trabalho em questão de segundos. Felizmente consegui apagar as chamas antes que o dano fosse irreversível. Depois disso, a Panema finalmente se estabilizou.
Com 28 centímetros, ela revelou uma afinidade excepcional com magias de desorientação, desilusão e herbologia. Sua magia de ocultamento é especialmente poderosa, mas existe um preço: o próprio núcleo parece confundir a varinha. Por isso, sua fidelidade é baixa. Ela pode aceitar outro mestre com uma facilidade preocupante, como se às vezes simplesmente esquecesse a quem pertence.
Talvez seja a maior ironia da Panema: uma varinha criada após sete anos de espera e confiança… que pode esquecer seu mestre em um instante.
Ainda assim, ao segurá-la hoje, tive a sensação de que o Curupira estava por perto.
Não sei se estava rindo de mim.
Mas, depois de sete anos na floresta, aprendi a não confiar muito no caminho que meus olhos mostram.
