História e Origem
Hoje concluí a varinha que carrega o nome mais curto que já dei a uma criação… e talvez uma das mais inquietantes: Po. Pequena no nome, mas extensa em alcance, como o próprio horizonte de Alagoas, de onde vieram seus ingredientes.
Esculpi seu corpo na madeira da caibeira, também chamada de ipê-amarelo do cerrado. Uma árvore que floresce mesmo quando a terra racha de seca, resistente, teimosa, bela. Há algo de profundamente sagrado nessa madeira — ela não pede permissão para viver, apenas vive. Enquanto trabalhava o tronco, senti que a varinha queria ser esguia, alongada, quase ansiosa por movimento, como se o descanso lhe fosse incômodo.
O núcleo, porém, foi outra história.
Veio da Cabra Cabriola, criatura maldita, de olhos em brasa e fumaça escapando pelas narinas. Uma presença que não anuncia a chegada, que atravessa portas e paredes sem ser percebida. Dizem que leva crianças desobedientes para destinos dos quais não se volta. Não me interessava sua crueldade — mas sim sua furtividade absoluta. Usei raspas do cascocomo núcleo, e no instante em que o inseri na madeira, senti o espaço ao meu redor falhar por um segundo, como se o ateliê tivesse dado um passo para o lado.
Com 38 centímetros, a Po se revelou uma varinha feita para o deslocamento. Teleporte, salto espacial, travessias impossíveis — tudo nela conspira para encurtar distâncias. Testei seus limites com cautela, e mesmo assim quase caí ao final de uma das conjurações. Ela exige muito do corpo do bruxo. Quanto maior a distância, maior o preço cobrado em exaustão. Há relatos — e agora posso confirmar — de que é possível chegar desacordado ao destino, como se a varinha tivesse levado tudo o que havia para levar o resto junto.
No cabo, deixei gravadas chamas estilizadas, uma referência direta à Cabra Cabriola. Não como aviso, mas como lembrança constante: essa varinha se move rápido, silenciosa… e cobra caro.
A Po não é para quem foge do cansaço. É para exploradores, para bruxos que aceitam acordar em lugares distantes com o coração acelerado e as pernas bambas, apenas para saber até onde ainda podem ir.
Enquanto a guardava, tive a estranha sensação de que ela não queria ficar parada. Talvez amanhã eu acorde em outro lugar.
Pergaminho

Informações Técnicas
Etimologia
- “Po” ou “Sapukái” podem significar “pulo”, dependendo do contexto.
Portanto, “Po” é uma forma simples e direta usada para indicar salto ou pulo.
Informações da Primeira Edição
Esta varinha já teve sua Primeira Tiragem, cada uma numerada e destinada a bruxos e bruxas que ouviram esse chamado.
Carregar uma peça dessa tiragem é mais do que possuir um artefato mágico: é guardar consigo um fragmento do início de uma nova era.
Primeiros Mestres
As varinhas da primeira edição não apenas encontraram seus donos — elas escolheram almas cujas mãos estavam prontas para despertar a magia adormecida do nosso mundo.
Como forma de gratidão e honra, os nomes desses primeiros bruxos e bruxas serão eternamente guardados nesta página, inscritos como parte viva da história do Galho Quebrado.
Que suas jornadas sejam longas, e que a magia que os uniu a essas varinhas continue a brilhar por muitas gerações.

